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Mentes LibertasAs farsas do "mercado" Por Hazel Henderson
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O grande e finado Bob Marley que lançou o reggae jamaicano no mundo, cantava em um de seus sucessos..."emancipem-se de sua escravidão mental - somente nós é que podemos nos libertar". Esse é o espírito do Fórum Social Mundial e a promessa de nosso futuro humano, nutrido em Porto Alegre - o agora destino chique do turismo no Brasil.
Um dos maiores avanços na libertação de nossas mentes está no despir dos falsos sacerdotes da economia e na descrença de suas formulas simplistas para o crescimento econômico. Conhecido como o "Consenso de Washington" (do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, do Banco Mundial e do FMI - Fundo Monetário Internacional) essas políticas causaram danos e miséria inestimáveis a milhões de pessoas em países cujos líderes foram seduzidos, intimidados ou tentados a seguir seus conselhos. Um outro avanço enorme para a libertação mental foi a denúncia do chamado "Prêmio Nobel Memorial da Economia" depois das premiações Nobel em dezembro 2004. O principal jornal sueco Dagens Nyheter na sua edição de 10 de dezembro de 2004 publicou uma série de editoriais escritos por reconhecidos matemáticos, criticando o prêmio. Exigiam que a sua real identidade "Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória a Alfred Nobel" fosse revelada. Esse prêmio de milhões de dólares nunca foi um Nobel, e sim arrumado pelo Banco em 1969 para atender alguns reclamantes para quem a economia tinha se tornado uma ciência sofisticada pelo uso de modelos matemáticos. Depois do artigo do Dagens-Nyheter, o debate continuou em meu editorial da IPS - Inter Press Service sob o título "Pela abolição do Prêmio Nobel de Economia" no qual eu entrevistei com exclusividade Peter Nobel, que revelou, como herdeiro de Alfred Nobel, ter ido contra o que ele chamou de "Violação feita pelo Banco da Suécia ao nome e à marca Nobel". Outros cientistas de destaque compraram a briga. O físico e pensador sistêmico Fritjof Capra aderiu ao debate. O também notável físico Hans Peter Durr do Instituto Marx Planck de Munique disse: "A economia não é nem uma ciência ruim. Seus modelos são simplesmente incorretos". Líderes do novo grupo de cientistas pós-darwinistas ( www.thedarwinproject.com ) e o psicólogo David Loye, autor do livro "A Teoria de Amor Perdida de Darwin" e a cientista e advogada Riane Eisler, autora de "O Cálice e a Espada", ponderaram em suas respectivas visões sobre a economia, como sendo "uma profissão que precisa de uma revisão conceitual, em vez de ser uma ciência". A derrubada do sacerdócio da economia continua no Le Monde Diplomatique - edição de fevereiro 2005, e na série de TV Ethical Markeplace nos Estados Unidos, no Brasil e outros países. Uma outra libertação mental da falsa mística da economia aconteceu em 2003 na primeira "Conferência Internacional sobre a Implementação de Novos Indicadores de Sustentabilidade e Qualidade de Vida" sediada em Curitiba. Cerca de 700 estatísticos de múltiplos campos, desde a epidemiologia até os direitos humanos, pesquisa de exclusão social, análises de pegadas ecológicas e indicadores de qualidade de vida consensuaram em ir além dos dados macroeconômicos e de índices como PIB e PNB. Como parte da revisão, o consenso da conferência se baseou na idéia de que, na questão dos ativos, as contas do PIB e do PNB deveriam contabilizar democraticamente nos orçamentos nacionais, a infraestrutura gerada pelo pagamento dos impostos: saneamento básico, saúde, escolas, estradas, portos, desenvolvimento urbano,etc. Esses ativos vitais de infraestrutura deveriam ser amortizados no decorrer de sua vida útil - normalmente 50 anos ou mais. Essa correção pontual (feita nos EUA em 1996 e no Canada em 1999) reduz a "dívida" pública em um terço ou até pela metade, e ainda melhorando o balanço de pagamentos do país e reduzindo as taxas de juros comprometidas. O Brasil conseguiu convencer o FMI da necessidade dessas mudanças nos modelos do Fundo. Devemos lembrar que a economia não é uma ciência mas uma profissão, precisando de padrões mais elevados de responsabilidade e de uma completa revisão teórica. Recentemente, eu realizei um seminário juntamente com a Fundação Dag Hammarskjold da Suécia, que reuniu muitos dos mais sábios pensadores e estrategistas nas questões da globalização. Muitos deles, Vandana Shiva, Walden Bello e outros... estarão no Forum Social Mundial. Nesse nosso seminário concordamos sobre a necessidade de se elucidarem os limites da economia como uma profissão de políticas públicas e também sobre a necessidade de quebrarmos sua dominância sobre as decisões públicas e privadas. Portanto, pode ser reaberto um espaço para trazer muitas outras disciplinas relevantes sob abordagens mais sistêmicas no âmbito das políticas sociais. Pesquisadores nas áreas de saúde, educação, assistência social, relações trabalhistas, reforma corporativa, antropologia, planejamento urbano, energias renováveis, biodiversidade e ecologia são todos necessários no mix das políticas públicas em sociedades complexas. Tais pesquisas multidisciplinares já eram produzidas regularmente pelas equipes das quais eu fiz parte no Departamento de Pesquisas Tecnológicas dos Estados Unidos (Office of Technology Assessment), em Washington de 1974 a 1996. Mas então, os fundamentalistas republicanos de mercado laissez faire no congresso americano finalmente conseguiram encerrar as atividades do OTA. Ainda bem que ainda podemos encontrar a prova dessas pesquisas com uma ampla gama de opções de políticas públicas, em CD-ROMs disponíveis no governo americano. A relevância de tais ferramentas está se tornando cada vez mais evidente em nosso novo século, com sua interatividade global se acelerando através de jatos, satélites, computadores, mídia de massa, enormes fluxos financeiros e monetários desregulamentados - e o crescimento das ameaças das armas de destruição em massa. Nenhuma disciplina isolada poderia mapear tais complexidades, muito menos a economia, ainda amplamente baseada em idéias e modelos obsoletos dos séculos 18 e 19. A Fundação Dag Hammarskjold já havia reacendido em 1999 o debate, na publicação canadense ETC Century de Pat Roy Mooney, propondo um novo olhar sobre a prática da pesquisa tecnológica e como as novas tecnologias de hoje - da clonagem aos organismos geneticamente modificados e a militarização do espaço - podem ser colocadas à luz de suas consequências sociais - antes de serem desencadeadas. Esse esforço é vital para que novos protocolos, padrões e tratados internacionais direcionem a ciência e a tecnologia a serviço das propostas de um desenvolvimento humano equitativo dentro da tolerância dos ecossistemas naturais de apoio à vida. A Fundação Dag Hammarskjold em parceria com o Focus on the Global South (Foco no Sul Global) continua o seu programa "What´s next in Economics" ( O que virá na economia) durante o Fórum Social Mundial 2005, com as presenças de Walten Bello e John M. Perkins, autor do novo best-seller "Confissões de um mercenário da economia". A programação também inclui diversos programas de TV da série Ethical Markets, nos quais eu modero um debate sobre "A reforma das finanças internacionais" com John Perkins, Kenneth Rogoff, até recentemente o economista-chefe do FMI e Sakiko Fukuda, autora do Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (evento 2388 "Economias soberanas para os Povos" e evento 2396 "A caminho da construção de uma ordem democrática internacional - no dia 30 de janeiro). HAZEL HENDERSON, futurista, autora de "Além da Globalização" e outros livros, parceira do Calvert Group de fundos de responsabilidade social nos EUA na criação dos Indicadores de Qualidade de Vida Calvert-Henderson (atualizações no site www.calvert-henderson.com) Ela participou das conferências ICONS - Indicadores de Sustentabilidade e Qualidade de Vida e BOWB - Liderança para a Vida e para a Prosperidade Sustentável. Este artigo foi traduzido por Rosa Alegria ( http://www.perspektiva.com.br ). futurista, vice-presidente do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP www.nef.org.br Dê sua opinião sobre o este conteúdo 19.01.2005 Fortaleça a imprensa independente do Brasil e a Livre Expressão disseminando este artigo para sua rede de relacionamento. Imprima ou envie por e-mail. | ||||||||||
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| Contact: Hazel Henderson's Library P.O. Box 5190, St. Augustine, FL 32085 Tel: 904/ 826-1381 ♦ Fax: 904/ 826-0325 e-mail: unlisted |
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